Um
barulho ensurdecedor saiu da cabeceira de Pandia, era o despertador. Ela se
levantou num pulo, e deu um gritinho, estava em êxtase. Era o primeiro
dia na universidade de Buscon, e ela e Nemea haviam conseguido entrar, elas
iriam ficar no dormitório juntos com todos os universitários e não precisariam
aguentar mais a madrasta. Desde que a mãe delas havia falecido, o que já faziam
dez anos, as gêmeas foram morar com o pai delas. Henry era alto, e só usava
terno, pretos de preferência. Era dono de uma fábrica de próteses dentárias, o
que era uma grande ironia porque não esboçava um misero sorriso. As gêmeas mal
o viam, a não ser quando ele dava jantares chiques em sua sala de jantar que
mais parecia um salão, nos quais eram obrigadas a comparecer. Mas quem
realmente as incomodava naquela casa era Alicia, a madrasta. E era má mesmo,
ela fazia questão de infernizar a vida das meninas. Mas isso iria acabar em
pouco tempo, porque elas estavam indo para a faculdade.
Pandia correu até a porta que
ligava o quarto dela ao de Nemea e a escancarou, foi correndo até as janelas e
abriu as cortinas num puxão só. A luz invadiu imediatamente o quarto e revelou
um quarto bagunçado. Era muitas roupas em cima da cama e quase nada nas três
malas que estavam abertas no chão.
- Nems! Nems! - Pandia sacudiu a
irmã, que só puxou o cobertor e se tampou toda.
- Me deixa dormir. - A voz
falhando por causa da rouquidão do sono.
- Vamos Nems! Daqui a duas horas
nos temos que estar nos apresentando no dormitório e você ainda não terminou de
arrumar suas malas. - Pandia olha decepcionada para o chão e começa a dobrar as
roupas jogadas e coloca-las dentro da mala. - Eu arrumo isso aqui para você,
enquanto você se arruma.
- Você é um saco. - Nemea se
levanta e seu cabelo loiro está todo bagunçado num coque desfeito. Ela vai para
o banheiro e só sai de lá 30 minutos depois, quando Pandia já está fechando as
suas malas.
- O que seria de mim sem você,
maninha? - Ela vai e dá um beijo no rosto da irmã e se volta para o espelho
para ajeitar o cabelo.
Pandia se vira para ela e se vê.
Mesmo depois de tanto tempo, ainda era difícil pensar que elas eram iguais. Os
cabelos de Nemea caiam nas costas em cachos largos e perfeitos, e Pandia
agradeceu por ter os mesmos cabelos. Elas eram magras mas não exageradamente e tinham uma altura legal. O que fazia as duas se parecerem com princesas. Sempre impecáveis.
- Tá, agora você termina de
arrumar isso aqui.- apontou para a cama de Nemea.- que eu vou me arrumar.
Enquanto Pandia se
arrumava, Nemea terminou de arrumar seu cabelo e começou a levar as malas para
a porta. O caminho até a porta era longo, ela tinha que passar por um corredor
imenso com seis portas de cada lado e descer dois lances de escada, até ela
conseguir levar tudo para baixo deu tempo de Pandia terminar de se arrumar e descer
para preparar o café da manhã para as duas.
Nems sentiu um cheiro forte de comida queimada enquanto estava carregando a última mala pela escada, saiu correndo deixando a mala na porta e entrando desesperada na cozinha. Ela já sabia que Pan tinha problemas com a cozinha.
Nems sentiu um cheiro forte de comida queimada enquanto estava carregando a última mala pela escada, saiu correndo deixando a mala na porta e entrando desesperada na cozinha. Ela já sabia que Pan tinha problemas com a cozinha.
- Aaaaaaah! – Pandia gritava enquanto colocava a frigideira com os ovos
mexidos embaixo da torneira.
- Sabia que isso não ia dar certo. – Nems pegou e colocou dois pães na
torradeira e quando eles pularam, passou geleia e colocou um na frente de Pan que
já estava sentada com a mão na cabeça.
- Fico muito feliz de pensar que nós vamos ter um refeitório a nossa
disposição, porque quero passar bem longe da cozinha.
- Pan, eu espero mesmo que você fique longe da cozinha, ou nós iremos ser
expulsas porque você colocou fogo em algo.
O celular de Nemea vibrou na mesa, quando ela o pegou imediatamente fez uma
careta.
- Papai quer nos ver na sala dele agora.
- De certo ele vai nos dizer que Alicia vai fazer uma festa para
comemorar que nós estamos saindo de casa.
- Não duvido nada disso.
Depois de colocarem os pratos na lava louças foram direto para o
escritório do pai delas, que estava com a porta entreaberta.
- Bom dia meninas. – Henry olhou no relógio. - Já são 8:45 e não quero
que vocês se atrasem. Queria desejar um bom ano e que eu não receba nenhuma
reclamação de vocês. Qualquer coisa que precisarem me mandem um e-mail. Agora
vão, se não vão se atrasar.
Como elas entraram, elas saíram. Quietas. Parecia que Henry era um
desconhecido que apenas fazia a sua obrigação de deixa-las morar ali. Era insuportável
muitas vezes ficar perto dele, ele não transmitia nada, nenhum sentimento.
Ainda era difícil de acreditar como a sra. Hilder podia ter tido um caso com
esse homem. E ainda mais duas filhas.
Pan e Nems, desceram as escadas e colocaram as malas no carro. Subiram
para escovar os dentes e viram se não estavam esquecendo nada. O combinado era
não voltar para casa até as férias de inverno.
Elas optaram por irem dirigindo até a universidade de Buscon que ficava há
2 horas de casa, para poderem ficar com o carro. A viagem não foi longa, elas
escutaram uma playlist que Nems tinha baixado na noite anterior e comeram
várias besteiras que tinham comprado numa loja de conveniência quando pararam
para abastecer o carro.
Quando estavam perto dos arredores da universidade começaram a ver um
grande fluxo de jovens. A universidade de Buscon ficava localizada numa cidade
universitária, Usami, e tinha mais de 200 anos de tradição o que a fazia ser
umas das universidades mais desejadas pelos jovens, além de as fraternidades
darem as melhores festas.
Elas estacionaram o mais perto do dormitório, pelo o que o mapa que elas
haviam imprimo na internet dizia. Pegaram um carrinho dispostos para os
calouros levarem suas malas para os quartos e encheram com as seis malas e
quatro nécessaires, o que pensando bem, olhando para as malas dos outros calouros parecia ser uma exagero. Não demorou muito para acharem o dormitório geral das
garotas. Ele tinha dois andares e seu acabamento era feito em tijolo a vista. As janelas eram grandes, e o lugar dava a ideia de descontração. Os grandes portões da frente estavam abertos e havia um grande fluxo de meninas
e pais entrando e saindo. Elas tinham certeza que era o lugar certo.
O corredor estava cheio de calouras, veteranas e pais histéricos por
deixarem suas filhas ali. Só depois de algum tempo, Nems conseguiu ver atrás da
cabeça de algumas meninas que tinha uma folha branca presa no mural, ela
conseguiu ir até lá e olhar o nome delas.
07.
O quarto delas era o número 07.
- 07 Pan. – E sorriu.
- Acho que esse é o nosso número mesmo.
As meninas tinham nascido no dia 07 de julho e desde então o número 07
sempre vinha fazendo parte da vida delas, tinham sete anos quando sua mãe
morreu.
O quarto era no térreo, o que elas agradeceram porque tinham muita mala
e teriam que fazer várias viagens. O papel de parede era amarelo claro e estava
descascado perto da porta, tinham duas camas dispostas em lados opostos do
quarto, ambas com um armário nos pés.
Não era tudo que elas tinham imaginado, mas iria ser. Nos próximos 5
anos aquele iria ser seu lar.
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